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Como precificar procedimentos: custo, margem e ponto de equilíbrio

Copiar o preço do concorrente é o jeito mais rápido de trabalhar muito e ganhar pouco. Veja como calcular o preço a partir dos seus números.

Ilustração de uma calculadora, um gráfico de margem e uma etiqueta de preço

Muita clínica define preço olhando para a concorrência e ajustando "no sentimento". O problema é que a clínica do lado tem outro aluguel, outra equipe, outros fornecedores e outra quantidade de atendimentos. O preço que serve para ela pode estar dando prejuízo para você.

Precificar bem começa por conhecer três números: o custo variável de cada procedimento, o custo fixo da clínica e quantos procedimentos você faz por mês.

1. Custo variável: o que cada procedimento consome

É tudo o que só existe porque o procedimento aconteceu:

  • materiais e produtos usados;
  • comissão do profissional, quando for por atendimento;
  • taxa do cartão ou da maquininha;
  • impostos sobre o faturamento.

Esse custo muda conforme o procedimento. Por isso, cada serviço precisa ter a sua ficha técnica: o que usa e quanto.

2. Custo fixo: o que existe mesmo sem atendimento

Aluguel, condomínio, salários fixos, contador, sistema, internet, energia. São despesas que chegam no fim do mês com ou sem paciente.

Para trazer o custo fixo para dentro do procedimento, divida o total mensal pelo número de procedimentos do mês. Com R$ 15.000 de custo fixo e 300 procedimentos, cada procedimento carrega R$ 50 de custo fixo.

Se o tempo dos procedimentos varia muito, uma conta mais justa é dividir pelo número de horas de atendimento e multiplicar pelo tempo de cada procedimento.

3. Margem de contribuição: o que sobra para pagar a clínica

Margem de contribuição = preço − custos variáveis.

É quanto cada atendimento contribui para pagar os custos fixos e, depois deles, gerar lucro. Um procedimento com margem baixa pode até ter muita procura e, ainda assim, não pagar a estrutura que ele usa.

4. Ponto de equilíbrio: quantos procedimentos pagam o mês

Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ margem de contribuição média.

É o número de procedimentos por mês a partir do qual a clínica começa a ter lucro. Abaixo dele, cada mês fecha no vermelho.

Exemplo

Um procedimento de R$ 1.800:

Item Valor
Produtos e materiais R$ 475
Taxa do cartão (3%) R$ 54
Impostos (6%) R$ 108
Custo variável R$ 637
Margem de contribuição R$ 1.163

Se a clínica tem R$ 15.000 de custo fixo e esse fosse o único procedimento, seriam necessários cerca de 13 por mês para empatar. A partir do 14º, sobra lucro.

Agora repare no desconto. Com 10% de desconto, o preço vai para R$ 1.620. Taxa e impostos caem um pouco junto, mas o produto custa o mesmo, e a margem cai de R$ 1.163 para cerca de R$ 999: uma redução de 14%, maior que o desconto. Quase todo desconto sai da margem.

Erros comuns

  • Esquecer taxas e impostos. Eles parecem pequenos, mas saem de todo procedimento.
  • Usar o preço de compra antigo. Se o produto subiu, o custo subiu junto.
  • Dar desconto sem limite. Cada pessoa da equipe precisa saber até onde pode ir.
  • Olhar só o faturamento. Faturar muito com margem baixa é trabalhar para pagar fornecedor.

Depois do cálculo

Com o preço calculado, aí sim compare com o mercado. Se o seu preço ficar acima, a pergunta é o que justifica a diferença (experiência, tecnologia, resultado, atendimento) e se você está comunicando isso. Se ficar abaixo, há espaço para ajustar.

No Cligox, cada serviço tem uma ficha técnica, e o custo vem do custo médio real das suas compras. Você vê o custo e a margem de cada procedimento e define o limite de desconto de cada usuário.